segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Seu voto está à venda?


Eu questiono o pagamento de “cabos eleitorais”, esses que ficam nas esquinas chacoalhando a bandeira do candidato e enfiando santinho na cara da gente. É um esquema antigo da nossa política da Casa Grande e Senzala, onde a proposta é pagamento por dia, mais lanche e no final – se o político ganhar - pagamento em dobro e/ou churrasco da vitória = boca livre. No meu ponto-de-vista, isso é uma compra de votos, uma vez que o tal “cabo eleitoral” vai convencer amigos e parentes a votarem no tal candidato para ganhar pagamento em dobro e participar da festa da vitória.

Eu questiono o candidato dar vales para aqueles vereadores do partido que estão direta ou indiretamente fazendo campanha pra ele, para que abasteçam no posto A ou B, que também vai fazer campanha pra ele. Tanto uns (candidatos a vereador) quanto o outro (posto de gasolina) estarão convencendo as pessoas a votarem no candidato em benefício próprio – os vereadores para ganharem gasolina grátis e o posto para vender mais gasolina.

Eu questiono o candidato receber em sua casa, no trabalho ou mesmo atender na rua pessoas que lhe entregam contas de água, luz, imposto, para que as pague. Também fica claro que o eleitor vendeu seu voto em troca de algumas contas, e o candidato ainda diz que faz isso “por caridade” ou chama de “serviço social”.

Eu questiono quem vota em candidato que oferece emprego para o eleitor ou para sua família, que promete passar asfalto em sua rua ou resolver qualquer problema específico dele, se fazendo de muito íntimo (coisa que antes nunca foi), arrematando com “quando eu estiver lá, vou lembrar de quem me apoiou”.

Todas essas práticas são pura e simples compra de votos. O pior é que quem está vendendo nem tem consciência disso. Não tem noção de que se precisa de alguém para pagar sua conta, para lhe dar um emprego, para asfaltar ou iluminar sua rua, para lhe pagar uma refeição, é porque os que se elegeram antes dele – e provavelmente este também que compra seu voto agora – lhe negaram o direito de conquistar tudo isso, e muito mais, pelo seu próprio esforço.

O eleitor não tem consciência de que está trocando um botijão de gás pela educação de seus filhos, uma conta de luz pelo saneamento básico, o emprego meia-boca e temporário na prefeitura por uma carreira promissora, o lanchinho no final do dia por hospitais e uma aposentadoria digna, vinte litros de gasolina pelo sonho da casa própria.

Aquele que vende seu voto está não apenas conformado com seu papel de mendigo eleitoral, como também criando meios para que estes políticos que compram voto possam perpetuar sua mendicância, sua miséria e sua ignorância.

Aquele que hoje lhe oferece 50 reais pelos votos de sua família, é o mesmo que irá negar a você o direito de conquistar um futuro digno, atendimento médico decente e uma velhice tranquila com uma aposentadoria justa. E quem está dando ele a oportunidade de lhe negar tudo isso é você mesmo, com seu voto que se compra tão barato, pago com nosso próprio dinheiro, com o fruto do nosso próprio suor.

O pior escravo é aquele que, podendo ser livre, escolhe a escravidão.

Zailda Coirano